14/05/07

Centro Celso Furtado - Desenvolvimento e Subdesenvolvimento

Desenvolvimento e Subdesenvolvimento
Celso Furtado

Constitui marco obrigatório na bibliografia sobre a Teoria do Desenvolvimento Econômico, foi também traduzido para o inglês, francês, espanhol, italiano e persa.

Celso Furtado á época do lançamento do Livro

Presidente do Grupo de Estudos CEPAL/BNDE (1953-55); que produziu os
subsídios para o famoso Plano de Metas do Governo de Juscelino Kubitscheck

Diretor do BNDE (1958-59);

. Idealizador e primeiro Superintendente da SUDENE (1960-64);

Um dos primeiros construtores da Teoria do Desenvolvimento Econômico e, é preciso frisar, em especial, a do Subdesenvolvimento.

Foi precursor, entre nós, da explicitação do sentido amplo que significa o Processo de Industrialização, como um processo de transformação geral na sociedade - não restrito às atividades propriamente industriais - tanto nos seus aspectos produtivos e técnicos, como também nos políticos, sociais e culturais.

Seu resgate do conceito de excedente social fê-lo entender o desenvolvimento
econômico, não como um processo de expansão quantitativa da economia, mas sim, principalmente, como um processo de transformação qualitativa da sociedade, de desenvolvimento das chamadas forças produtivas.

Por outro lado, nos ensinou, de forma inequívoca, que o subdesenvolvimento não constitui uma "etapa" e sim um processo originado pela penetração capitalista em áreas atrasadas e pré capitalistas.

Capitulo 4
Elementos de uma teoria do Subdesenvolvimento

- O Modelo Clássico do Desenvolvimento Industrial

Com o propósito limitado de “mostrar a natureza das variáveis não-econômicas que determinam, em ultima estância a taxa de crescimento da produção de uma economia” ou seja a partir de uma estrutura econômica poderia se constituir seus processos fundamentais, podendo assim identificar as variáveis que correspondem no ritmo do crescimento e por sua intensidade. Tal linha de pensamento tem servido de base para os inúmeros modelos de desenvolvimento que figuram na bibliografia corrente Entretanto, não devemos limitar a teoria do desenvolvimento a uma experiência historia limitada. A Revolução Industrial, constitui-se por um fenômeno autônomo, e a provocar uma ruptura na economia mundial da época, representou uma mudança de natureza qualitativa ao mesmo titulo da descoberta do fogo, roda e método experimental.
No período anterior a Revolução Industrial, o desenvolvimento econômico era basicamente um processo de aglutinação de pequenas unidades econômicas e de divisão geográfica do trabalho, com a figura do agente econômico do desenvolvimento, criando formas mais complexas de divisão do trabalho e possibilitando a espansão geográfica.
A articulação nos grupos dirigentes da fase comercial e os responsáveis pelas fases produtivas era reduzida ou nula, com baixa eficiência na acumulação dos lucros nas mãos dos comerciantes em relação ao desempenho das técnicas de produção. Este, vislumbrava somente os atos de abertura de novas frentes de trabalho, ou financiar a destruição dos concorrentes e os métodos somente em casos especiais chegavam a importuná-los.
A configuração do núcleo da economia industrial no séc XVIII , baseada em características de transformações rápidas e radicais para a época , transformações estas com concentradas nos fatores do crescimento com efeitos endógenos ao sistema econômico,como também o avanço tecnológico traduzindo em articulação do processo tecnológico de formação do capital com o avanço da ciência experimental .
O Dinamismo da Revolução Industrial, em sua primeira etapa, atuava pelo lado da oferta, concentrando-se a atenção do empresário em reduzir custos, e a partir deste ponto que começam a se constituir as técnicas de produção como o ponto crucial de todo o sistema econômico, criando assim uma articulação intima que constituirá o maior fator da civilização contemporânea. Vivendo-se assim uma economia baseada na oferta traduzida numa firme baixa dos preços de certo numero de mercadorias de consumo geral, destruindo assim a velha estrutura econômica de base artesanal.
Superada a primeira etapa do desenvolvimento, com a dissolução das velhas estruturas econômicas, passam a tomar forma os fatores dinâmicos da economia industrial desenvolvendo ambos os lados, oferta e procura, concentrando os esforços em elevar a produtividade física nas industrias de bens de consumo, ou seja, toda vez que ocorria uma redução de custos nas industrias de bens de consumo e conseqüentemente um aumento de lucratividade nesse setor, desencadeou uma procura que determina um aumento da pressão por procura no setor de bens de capital. Esse aumento relativo da procura de bens de capital acarretava aceleração do crescimento.
Com a absorção do sistema pré-capitalista, o salário de um operário não especializado era basicamente um salário de sobrevivência e com a desarticulação do artesanato e o aumento da oferta de mão de obra nas zonas urbanas, favoreceu uma baixa dos salários, portanto, este sistema processava em condições de oferta de mão de obra totalmente elástica a um nível de salário real constante . e como estes estavam baseados em termos de alimentos, se não houvesse esta baixa de preços não seria possível eliminar a produção artesanal.
As inovações tecnológicas se afigurariam tanto mais econômicas quanto maior fosse a redução do custo unitário que elas permitissem, mediante o aumento da produção por unidade de capital aplicado no processo produtivo.
Com uma oferta elástica de mão de obra , o principal fator determinante do ritmo do crescimento econômico é a capacidade produtiva da industria de bens de capital, e sua participação na produção global, reflete a forma de distribuição da renda. A oferta total de bens e serviços de consumo é determinada pelo seu próprio nível de produção se analisarmos em termos de uma economia fechada.

Como a produção de bens de consumo e a de bens de capital são complementares torna-se claro que o aumento de uma implica se na redução relativa da outra, isto é ao transferirem-se trabalhadores de um setor para o outro, reduz-se a oferta de bens de consumo ao passo que sua procura não se altera.
Uma redução da produção de bens de consumo fará o salário médio real reduzir-se também e que um aumento da produção de bens de capital resultara num aumento dos lucros

A primeira fase do desenvolvimento industrial caracterizou-se pelo aumento da industria de bens de capital, sobretudo equipamentos acompanhada de alterações na distribuição da renda crescendo a massa total dos lucros com mais intensidade que a folha dos salários. Tal fase se concluiu com a absorção da economia pré-capitalista e do excedente estrutural de mão de obra
Para absorver o grande e crescente volume de bens de capital era necessário transferir mão de obra desse setor para o de bens de consumo ocasionando uma relativa redução da produção de bens de capital com redistribuição das renda a favor dos grupos assalariados. Levando a uma redução no ritmo de crescimento e uma baixa da taxa de lucros.
A segunda fase do desenvolvimento das economias industriais é caracterizado por a oferta de mão de obra se tornar pouco elástica, baseada em um desequilíbrio fundamental entre a capacidade de produção de bens de capital e a possibilidade de absorção dos mesmos.[
A oferta de capital tende a crescer mais rapidamente que a do fator trabalho ,criando pressão no sentido da redistribuição da renda a favor dos trabalhadores

Esta redistribuição teria efeitos desastrosos, desencadeando reduzindo o volume de inversões, desempregos temporários e redução do ritmo do crescimento econômico O ponto crucial estava na inelasticidade da oferta de mão de obra . Um excesso estrutural da oferta no setor de bens de capital tende a refletir-se em redução dos custos da inversão no setor de bens de consumo, onde são utilizados os equipamentos, e na medida em que os equipamentos mais baratos vão penetrando as industrias de bens de consumo, a rentabilidade deste setor tende a aumentar
O forte avanço relativo da tecnologia nas industrias de bens de capital permitiu concilicar a forma de distribuição da renda, que cristalizara no período de absorção da economia pré capitalista e participação das industrias de bens de capital com oferta de mão de obra pouco elástica.
A tecnologia foi orientada no sentido de permitir combinações de fatores em que entravam quantidades crescentes de capital por homem ocupado, tinham preferência as que permitiam aumento da produtividade física do trabalho, mas não permitiam reduzir a procura do fator mão de obra

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