20/05/07

Wolfowitz e o Banco Mundial: um casamento condenado desde o início?

Wolfowitz e o Banco Mundial: um casamento condenado desde o início?

Steven R. Weisman
Em Washington

Paul Wolfowitz estava em atrito no Pentágono no início de 2005, frustrado em sua tentativa de se tornar o secretário da Defesa ou conselheiro de segurança nacional, enquanto a guerra no Iraque se deteriorava. Quando ficou vaga a presidência do Banco Mundial, ele aproveitou a oportunidade. Foi oferecida a ele uma "segunda chance" para redimir sua reputação e realizar suas ambições, disse um amigo.

Meses depois, outro amigo se encontrou com o novo presidente do banco e perguntou se estava apreciando o cargo. Wolfowitz deu vazão a uma torrente de queixas amargas sobre a burocracia do banco, dizendo que era a pior que já tinha visto - pior do que a do Pentágono.

Agora, enquanto amigos e críticos removem os escombros da carreira de Wolfowitz no banco, eles se perguntam se ela estava condenada desde o início.

Seus simpatizantes dizem que ele chegou ao banco, uma cidadela de liberalismo, após uma passagem de quatro anos no Pentágono, carregando o estigma do Iraque. Ele estava determinado a sacudir o status quo eliminando o que via como corrupção e desperdício e exigindo resultados mensuráveis dos muitos programas de ajuda do banco.

"A liderança do banco não gostou de Paul desafiando suas suposições", disse Robert Holland 3º, que representou o governo Bush no conselho diretor até o ano passado. "Todos estavam lá há muito tempo e estavam acostumados a promover os interesses uns dos outros e a coçarem as costas uns dos outros."

Mas outros acham que Wolfowitz, em busca de uma segunda chance após o Iraque, repetiu os mesmos erros que cometeu no Pentágono ao adotar uma posição inflexível em certos assuntos, se recusando a considerar pontos de vista alternativos e marginalizando os dissidentes.

"Wolfowitz incomodou as pessoas desde o início", disse Manish Bapna, diretor executivo do Bank Information Center, um grupo de monitoramento independente. "Seu estilo era visto como uma abordagem subjetiva para um fim específico, que era punir os inimigos e recompensar os amigos."

No Pentágono, Wolfowitz foi um dos primeiros defensores da guerra no Iraque, apenas poucos dias após o 11 de Setembro de 2001, e manteve sua defesa de mudança de regime no Iraque durante o ano seguinte. Seu período no Pentágono também foi caracterizado por brigas internas, especialmente com a Agência Central de Inteligência (CIA), que ele achava que tinha subestimado o Iraque como uma ameaça aos Estados Unidos. Ele entrou em choque com o general Eric Shinseki, o chefe do Estado-Maior do Exército, e outros que alertaram -corretamente, como ficou comprovado- que os Estados Unidos precisavam de mais forças no Iraque. Sua visão de uma democracia no mundo árabe também caiu por terra em Bagdá.

Apesar da aversão do governo a instituições multilaterais, muitos no Banco Mundial inicialmente esperavam que Wolfowitz - um intelectual neoconservador, ex-reitor acadêmico e embaixador na Indonésia - poderia ajudar a desenvolver um novo consenso com os liberais sobre formas mais eficazes de ajudar os países pobres.

Mas sua abordagem discreta, intelectual, aos assuntos escondia uma determinação em fazer com que as coisas fossem feitas ao seu modo, segundo funcionários do banco.

Estes relatos, dados enquanto Wolfowitz negocia os termos de sua saída, são de amigos e atuais e ex-colegas, tanto no Pentágono quanto no Banco Mundial, que permanecem em contato com ele.

Wolfowitz travou suas primeiras lutas antes mesmo de assumir o cargo, quando exigiu cláusulas em seu contrato que lhe permitiriam escrever um livro sobre o Iraque e aceitar cachês para discursos.

Quando eles foram rejeitados, ele se irritou com o assessor legal, Roberto Danino. Danino foi o primeiro membro do banco a sugerir a ele que Shaha Ali Riza, companheira de Wolfowitz e funcionária do banco, não poderia permanecer no banco porque ela estaria sob sua supervisão.

Documentos do banco recentemente divulgados mostram que Wolfowitz rejeitou o conselho de Danino sobre Riza e procurou diretamente o comitê de ética do conselho diretor em busca de um parecer diferente. Ele também se recusou a tratar de todos os demais assuntos com o assessor legal. Um associado disse que ele chamava Danino de "incompetente".

Danino, forçado a deixar o cargo no ano passado, disse a um repórter na época: "Ele presume que todo aquele que é contra ele é incompetente ou corrupto".

A batalha com Danino preparou o caminho para as batalhas com Ad Melkert, o chefe do comitê de ética do conselho diretor do banco, e Xavier Coll, o vice-presidente de recursos humanos, sobre a forma de lidar com o caso de Riza.

Coll testemunhou que Wolfowitz lhe disse para manter os termos do pacote salarial de Riza em segredo de Melkert e Danino. Wolfowitz contestou sua alegação.

No início de 2006, segundo um memorando de Coll, o presidente do banco lhe dirigiu muitas imprecações, acusando que seus inimigos estavam vazando detalhes do salário de Riza para a imprensa. Os desacordos sobre a forma de lidar com o salário, promoção e transferência de sua companheira poderiam ter se tornado irrelevantes caso Wolfowitz não tivesse travado outras batalhas com os integrantes do banco, disseram muitos deles.

Wolfowitz também irritou as pessoas ao trazer dois assessores do governo Bush, Robin Cleveland e Kevin Kellems, e usá-los não apenas como assessores, mas como gerentes que emitiam diretivas para altos funcionários.

Entre aqueles que com quem entrou em choque estava Christiaan Poortman, uma vice-presidente para o Oriente Médio, em torno da exigência de Wolfowitz de que o banco estabelecesse uma maior presença no Iraque. Poortman, ao ser transferida para o Cazaquistão, preferiu pedir demissão.

Gobind Nankani, um vice-presidente para a África, também deixou o cargo após disputas com Wolfowitz sobre o tamanho de seu quadro de funcionários, segundo vários funcionários do banco.

Outro alto funcionário que partiu foi Shengman Zhang, o diretor abaixo de James Wolfensohn, o antecessor de Wolfowitz. Este acusou que era hipocrisia os diretores do banco permitirem que a esposa de Zhang trabalhasse no banco mas não Riza. Zhang, atualmente vice-presidente sênior do Citigroup em Hong Kong, ficou furioso, disseram vários associados, porque as regras do banco permitem que maridos e esposas trabalhem lá sob certas condições, que Zhang disse seguir, mas proíbem funcionários do banco de manterem um relacionamento sexual extraconjugal com um alto diretor.

"O que Paul não entendeu é que a presidência do Banco Mundial não é um cargo inerentemente poderoso", disse um alto funcionário do governo Bush, falando anonimamente para poder ser mais franco. "Um presidente de banco só é bem-sucedido se puder formar alianças com os muitos feudos do banco. Wolfowitz não se aliou a estes feudos. Ele os alienou."

Tradução: George El Khouri Andolfato

Um comentário:

Anônimo disse...

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